Mentalizar é puxar a cadeira

22 Maio, 2017 | Évora

“O que é que eu podia fazer mais?”, questionava-nos uma das participantes na sessão de Mentalizar na Associação de Solidariedade Social dos Professores (ASSP), em Évora. Não existem respostas certas para este tipo de pergunta. Cada caso é um caso. Cada pessoa é uma pessoa. O que há a dizer é tão simplesmente: fez a diferença!

O Mentalizar é isso mesmo. É levar a diferença para que mais gente como nós, connosco, faça diferente. Convidamos a que cada um olhe para si e para o outro com as suas etiquetas de doença e perturbação ao peito. O esquizofrénico, o bipolar, o cleptomaníaco, o depressivo, o agorafóbico. E tentamos demonstrar que na vida real a doença mental não tem etiqueta. Não é uma perna partida, um braço ao peito, uma dor de barriga. “Agora vejo-a com outros olhos”, partilhava outra das participantes quando nos quis contar a história de uma colega de trabalho.

Ali, em Évora, numa roda de cadeiras com mais de uma dezena de senhoras, professoras aposentadas, a recetividade foi unânime. Ainda assim, não faltaram momentos mais hirtos, de engolir em seco. “Os momentos de reflexão são sempre silenciosos e pesados”, confessava outra das participantes no momento de pensarem se já tinham feito algo por aquela pessoa, aquele amigo, aquele familiar, aquele conhecido, em quem tinham visto um sinal, um aceno de pedido de ajuda. “Acabamos por nos retrair e não vamos até lá”, dizia mais alguém.

No final tivemos a sensação de que mais tempo houvesse e por ali ficávamos a partilhar histórias, a abrir mentes e horizontes para que se faça diferente na saúde mental.

A nós, Fundação S. João de Deus, não cabe tratar, mas cabe alertar! É isso o Mentalizar e foi em Évora e na história contada por uma das participantes que encontrámos uma frase nova para este projeto e para a missão da Fundação junto daqueles que acompanhamos: “ontem passou por aqui, mas hoje puxou a cadeira”. A Fundação S. João de Deus quer puxar a cadeira e aproximar-se de cada um. Partilhar histórias e mostrar o que não se vê na saúde mental.